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A pedagogia de Célestin Freinet
A PEDAGOGIA DE
CÉLESTIN FREINET
Célestin Freinet iniciou sua pesquisa e ideário filosófico da França criando sua “metodologia” de ensino com bases psicológicas e educativas. A proposta pedagógica, de Freinet (1969, p.27-28) aborda uma nova orientação social e educacional trazendo sua visão que suscita uma ordem profunda e funcional, uma disciplina que é a própria ordem na organização da atividade e do trabalho, uma eficiência que resulta de uma racionalidade humana de vida escolar, todas as conquistas que, para além dos formalismos ultrapassados, concorrem para a formação harmoniosa dos indivíduos na renovada estrutura social. Freinet foi o idealizador de pedagogia do bom senso, baseada nos interesses e vivências das crianças, suas culturas, atitudes e valores.
Ele criou essa proposta pedagógica acreditando que a contribuição da educação deveria ir além da alfabetização, e pautar-se no conhecimento e desenvolvimento de suas potencialidades e personalidade, através da relação dialética teoria e prática. Para ele se faz importante desenvolver nos alunos a sede pelo conhecimento; estes devem sentir interesse pela descoberta do novo e o professor deve possuir papel central na conscientização dos alunos.
A pedagogia do bom senso comprovava que o esforço de Freinet não foi de fazer com que os alunos aprendessem simplesmente a técnica do fazer pedagógico tento um papel apenas passivo no processo de ensino-aprendizagem, e sim, que essa pratica educativa fosse carregada de significância e, a partir desta, os alunos seriam sujeitos ativos no processo. Assim diz Freinet (1975, p.120): Porém a nossa pedagogia tem a pretensão de ser mais simples do que a pedagogia tradicional, pois é natural, quer dizer, baseia-se nos princípios e nos comportamentos do bom senso que qualquer um que possua, este bom senso compreende e admite.
A pedagogia Freinet surgiu para desenvolver e se trabalhar nos alunos suas habilidades, tornando-os seres autônomos, sociais, responsáveis e co-detentores de sua cultura e seus conhecimentos, além de também desenvolver as necessidades vitais das crianças através do trabalho e da cooperação. Para ele a prática educativa acontece diante de situações reais de construção e reconstrução do conhecimento. O aluno tem papel ativo e fundamental o seu próprio desenvolvimento não somente educacional mais social também.
As contribuições trazidas pela Pedagogia Freinet para a educação se traduzem pela filosofia, pela educação e pela prática. Suas técnicas pedagógicas trouxeram sentido às aulas tornando esta uma atividade prazerosa e significativa para os alunos. O papel do professor dentro dessa proposta se alicerça na junção da prática para a vivência, criando relações para que sejam desenvolvidos a cooperação e o respeito. A teoria Freinetiana é formulada a partir de suas experiências em sala de aula, realizando interlocuções, observações, anotações e experimentações. Trata-se de uma teoria pedagógica fundamentada em princípios e comprovada pelas suas pesquisas como: educação e trabalho, livre expressão, cooperação e autonomia. A relação que essa pedagogia traz com a vida social dos alunos é que auxilia o professor no seu fazer pedagógico, construindo com seus alunos a aprendizagem coletiva, diante de uma proposta real de interação por todos os sujeitos no processo educativo, respeitando a linguagem de cada um, tornando o aprendizado prazeroso e principalmente trabalhando a autonomia dos mesmos.
O trabalho na concepção de Freinet está relacionado a uma atividade que é própria do ser humano, algo que possui uma finalidade social determinada. “Em resumo, o trabalho como base educativa prepara a harmonia social pela harmonia individual, é um estimulante para o estudo abstrato, é finalmente, um fator inestimável de moralidade e sociabilidade” (FREINET, 1998, p.94). Em sala de aula, o trabalho refere-se a procedimentos necessários à prática pedagógica, tais como: elaboração de planos de trabalho, criação e confecção de materiais, rotinas, entre outros. Todos esses procedimentos devem ser elaborados em conjunto, docentes e discentes. O trabalho é uma prática social que pode libertar o homem de dogmatismos tornando este um ser atuante na sociedade de forma crítica e criadora, inclusive tornando-se um ser criador de sua própria educação.
O verdadeiro sentido da pedagogia de Freinet, está ligada através da relação de troca que o homem faz com o meio e, assim, descobre seus complexos de interesse. É nessa concepção que se demonstra a sensibilidade diante do comportamento da criança em um ambiente escolar e social em que vive, buscando desenvolver as potencialidades dos mesmos. O segundo princípio da pedagogia freinetiana é o tateamento experimental que trabalha a sensibilidade dos alunos. Para Freinet a aprendizagem é construída pela criança através da elaboração de hipóteses que são testadas podendo tornar-se uma apropriação concreta do conhecimento, e a pesquisa que a criança realiza usando o tateamento experimental possibilita essa análise.
Para Freinet (1969, p.85), “os únicos conhecimentos que podem influenciar o comportamento de um indivíduo são aqueles que ele descobre sozinho e dos quais se apropria”. Esse pilar presente no método natural de aprendizagem possibilita ao aluno um maior conhecimento do ambiente em que vive, através de suas descobertas, que são necessidades naturais do ser humano, utilizando o tatear, sondar, investigar o terceiro princípio da pedagogia freinetiana trata-se da cooperação. De acordo com Freinet, é através desta que as crianças e o educador se relacionam e desenvolvem suas responsabilidades e competências, havendo uma maior valorização mútua e, principalmente, a prática real da liberdade pessoal necessária. Diante da troca de experiências e conhecimentos entre os alunos, estes passam a se tornar seres autônomos com seus processos de aprendizagem, conseguem atribuir significância à prática educativa exercida e essa cooperação contribui consideravelmente para a formação de valores e atitudes nos sujeitos envolvidos.
A classe cooperativa se fundamenta nas relações interpessoais, assim sendo ela ajuda as crianças a multiplicarem as relações umas com as outras em todas as idades, e com os adultos, tendo com estes não mais uma relação de dependência e de submissão, mas de troca e amizade (Escolas são pessoas) José Pacheco. E a independência da criança vai se processando gradativamente, com consciência e responsabilidade. (Souza, 1996, p.1).
Na pedagogia freinetiana, a livre expressão é o quarto pilar, e é nesta concepção das habilidades expressivas que a criança é capaz de trabalhar seus sentimentos, emoções, pensamentos, conhecimentos prévios através de uma aprendizagem real e significativa e vivenciada. Quando a criança sente segurança e confiança no ambiente em que esta inserida, torna-se possível o crescimento e o desenvolvimento de suas potencialidades e de sua autoconfiança. O desenvolvimento afetivo neste ambiente é primordial através do mediador, para que o mesmo desenvolva aspectos a serem trabalhados de forma que a criança possa se sentir ao mesmo tempo que segura amada também. Os materiais didáticos utilizados por Freinet em suas aulas foram criados por ele próprio fundamentando a relação dialética que era sua proposta para o ambiente escolar.
Santos (1996, p. 158) demonstra: Ao introduzir no ambiente escolar, técnicas educativas tais como o texto livre, o jornal, a imprensa, a correspondência, o plano de trabalho, a biblioteca de classe, o conselho cooperativo, Freinet dotou a sala de aula de condições estruturais e funcionais para uma prática educativa baseada na liberdade de expressão, no intercâmbio de ideias, no tateio experimental, no trabalho criativo e na cooperação. O texto livre, eixo possibilitador de aprendizagem que se consolida intrinsecamente na atuação do princípio da livre expressão, foi a primeira forma que
Freinet apresentou sua pedagogia para o mundo no Congresso de Tours (1927), onde levou seus alunos e apresentou toda a coleta de materiais, advindas da impressão de textos e registros de desenhos, onde também demonstrou sua paixão e orgulho: “o Congresso de Tours, onde educadores apaixonados por seu ofício levavam seus trabalhos e seu entusiasmo, demonstravam que a livre expressão da criança encontrava-se na origem de uma inversão de conceito de educação”. Freinet (apud Freinet E, 1979, p.30). Um dos diferenciais de Freinet era a preocupação em atrair a atenção dos alunos para o processo de ensino-aprendizagem. As obras de Freinet demonstram como sua visão sobre a educação é atual e utilizada em todo o mundo até os dias de hoje. Um educador que no início do século XX desenvolveu importantes considerações acerca das relações interpessoais, dos assuntos sociais e políticos, e da prática pedagógica da atualidade.
Freinet teve muitos facilitadores pedagógicos ligados à sua pesquisa, em que se destacam: plano de trabalho (gestão da aprendizagem), correspondência interescolar (comunicação social), auto-avaliação (autogestão da aprendizagem), jornal de parede (gestão entre o grupo), imprensa escolar (instrumento usado na comunicação), aula passeio (práticas que contribuem para a aquisição do conhecimento), livro da vida (instrumento para registro), fichário de consulta (gestão da aprendizagem). Para Freinet o trabalho deve ser realizado por grupos de alunos de maneira coletiva e cooperativa. Um dos instrumentos que representam a sua prática foi o limógrafo (um tipo de impressora artesanal). Este material foi o primeiro utilizado por Freinet caracterizando, assim, a imprensa escolar.
O limógrafo era usado para registrar experiências extra-escolares dos alunos como, por exemplo, entrevistas, pesquisas e relatórios. A aula passeio (ato denominado as atividades de observação da esfera extra-escolar) surgiu diante da observação de Freinet sobre as necessidades dos alunos que se interessavam por questões fora do âmbito escolar. Freinet, no intuito de incentivar a participação das aulas e tornar estas mais prazerosas e significantes, começou a praticar aulas passeios envolvendo caminhadas e atividades ao ar livre.
O livro da vida trata-se de uma forma de registro da livre expressão. Este material foi idealizado como uma forma de catalogar os saberes construídos em sala de aula e fora dela. Nele, a criança podia demonstrar seus sentimentos expressando-se livremente, representando a sua realidade. Segundo Souza (1996, p. 8), “o livro da vida é um meio de incentivar na criança o gosto e o desejo de escrever, uma vez que nele está expresso o que ela disse, fez, viveu e compreendeu.” Um mecanismo de pesquisa é o fichário de consulta, uma enciclopédia artesanal, que possibilita aos alunos a organização de assuntos referentes as áreas de: gramática,geografia, matemática, entre outros.
O plano de trabalho e a correspondência escolar também fizeram parte das aulas de Freinet. O plano de trabalho se configura na proposta educativa Freinetiana como um planejamento feito entre o professor e o aluno no qual continha o encaminhamento das aulas buscando sempre a melhor maneira de realizá-las. A correspondência interescolar, atividade cooperativa de estreitamento das relações humanas, em que os alunos socializam informações, presentes, conhecimentos, entre outros também é uma técnica de ensino proposta para o ambiente escolar. Finalizando, na concepção de Freinet a avaliação é um mecanismo necessário a prática educativa. Sem ela, corre-se o risco de deixar a atividade educativa improdutiva e sem significância. Nesse sentido, a auto-avaliação e as fichas criadas por Freinet, foram pensadas para o registro dos progressos e, assim, do desenvolvimento.
A maneira que Freinet vê o ato educativo possibilita o entendimento de que é impossível que haja neste a neutralidade, adotando como embasamento uma consciência política e recusa de manipulação do homem. Em sua pesquisa ele demonstra que a ação pedagógica pensada e projetada, possui grande relevância no processo de libertação e conscientização humana, mesmo tendo ele atuado em época diferente. Nas aulas, a forma que Freinet trabalhava deixava clara a sua contribuição para o desenvolvimento da autonomia, juízo crítico e responsabilidade nas crianças. Práticas como a “expressão livre” dava criatividade e liberdade aos alunos e estes tinham palavra e vida no processo de ensino-aprendizagem. Para que haja a pesquisa o professor precisa saber pensar, que é pôr em dúvida suas certezas, suas verdades para aprender o conhecimento já existente e aquele que ainda não existe.
A relação dialógica e cooperação entre professor e aluno são princípios defendidos por Freinet. Essas práticas necessárias em sala de aula possibilitam a problematização, compreensão e transformação da realidade. A modificação do espaço escolar é enfocada por Freinet mediante de métodos ativos de ensino, da cooperação e comunicação dos caminhos de meio natural e social; enfatizando o trabalho educativo ligado à ação e a organização social e política do mundo adulto. Freinet traz em sua proposta pedagógica um método natural de ensino, mostrando que o desenvolvimento da criança se dá de forma gradativa, tendo relação com as necessidades próprias da criança e as condições fisiológicas, psicológicas e técnicas. A formação do homem integral era vista por Freinet como um direito de todos os cidadãos, que passaria de um plano concreto de vida para um mais abstrato quando conquistassem a liberdade. Este pensamento está claro em todo o trabalho de Freinet, tanto no aspecto educacional, quanto no aspecto político e social. Isto_ porque ele acreditava numa escola contextualizada, nascida no seio da comunidade, dinâmica e integrada, principalmente, à cultura em geral.
Para que houvesse educação, ou melhor, uma nova educação, era necessária uma grande modificação da sociedade, da política, da ética, do cotidiano dos indivíduos e dos grupos sociais. Suas raízes de pensamento refletem uma educação para a autonomia e formação de cidadãos.
Freinet fez surgir um projeto político dedicado ao aprimoramento de um direito social: a educação.
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
REFERÊNCIAS
ELIAS, Marisa Del Cioppo. Pedagogia Freinet: teoria e prática. Campinas – SP:
Papirus,1996.
______. De Emílio a Emília: a trajetória da alfabetização. São Paulo: Scipione:
2000.
FREINET, C. O método natural. Trad. Franco de Sousa e Teresa Balté. Lisboa:
Estampa, 1969. Vols 2.
______. As técnicas Freinet da escola moderna. Trad. Silva Letra. 4ª ed. Lisboa:
Estampa, 1975.
______. A Educação do trabalho. / Cèlestin Freinet; tradução de Cristiane Nascimento
e Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes,1998 – (Psicologia e Pedagogia)
Campina Grande, REALIZE Editora, 2012
13
______. Para uma escola do povo: guia prático para organização material, técnica
e pedagógica da escola popular/ Cèlestin Freinet: tradução de Eduardo Brandão. 2ª ed.
– São Paulo: Martins Fontes, 1977. (Psicologia e Pedagogia).
FREINET, Élise. O itinerário de Cèlestin Freinet. Rio de Janeiro: Livraria Francisco
Alves Editora S. A. 1979.
___________. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. SP:
UNESP, 2000.
____________ Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: UNESP, 2001.
OLIVEIRA, A. M. M. Cèlestin Freinet: raízes sociais e políticas de uma proposta
pedagógica. Rio de Janeiro: Papéis e cópias de Botafogo e Escola de Professores, 1995.
SANTOS, Maria Lúcia dos. Texto livre: expressão viva num sistema interativo. In:
ELIAS, Maria Elisa Del Cioppo (org). Pedagogia Freinet: teoria e prática. Campinas,
SP: Papirus,1996.
SOUZA, Djanira Brasilino de. A pedagogia Freinet nas séries iniciais do 1º grau:
algumas sugestões de organização do trabalho pedagógico. Caderno nº 3, Natal:
EDUFRN, 1996.
A PEDAGOGIA DE
CÉLESTIN FREINET
Célestin Freinet iniciou sua pesquisa e ideário filosófico da França criando sua “metodologia” de ensino com bases psicológicas e educativas. A proposta pedagógica, de Freinet (1969, p.27-28) aborda uma nova orientação social e educacional trazendo sua visão que suscita uma ordem profunda e funcional, uma disciplina que é a própria ordem na organização da atividade e do trabalho, uma eficiência que resulta de uma racionalidade humana de vida escolar, todas as conquistas que, para além dos formalismos ultrapassados, concorrem para a formação harmoniosa dos indivíduos na renovada estrutura social. Freinet foi o idealizador de pedagogia do bom senso, baseada nos interesses e vivências das crianças, suas culturas, atitudes e valores.
Ele criou essa proposta pedagógica acreditando que a contribuição da educação deveria ir além da alfabetização, e pautar-se no conhecimento e desenvolvimento de suas potencialidades e personalidade, através da relação dialética teoria e prática. Para ele se faz importante desenvolver nos alunos a sede pelo conhecimento; estes devem sentir interesse pela descoberta do novo e o professor deve possuir papel central na conscientização dos alunos.
A pedagogia do bom senso comprovava que o esforço de Freinet não foi de fazer com que os alunos aprendessem simplesmente a técnica do fazer pedagógico tento um papel apenas passivo no processo de ensino-aprendizagem, e sim, que essa pratica educativa fosse carregada de significância e, a partir desta, os alunos seriam sujeitos ativos no processo. Assim diz Freinet (1975, p.120): Porém a nossa pedagogia tem a pretensão de ser mais simples do que a pedagogia tradicional, pois é natural, quer dizer, baseia-se nos princípios e nos comportamentos do bom senso que qualquer um que possua, este bom senso compreende e admite.
A pedagogia Freinet surgiu para desenvolver e se trabalhar nos alunos suas habilidades, tornando-os seres autônomos, sociais, responsáveis e co-detentores de sua cultura e seus conhecimentos, além de também desenvolver as necessidades vitais das crianças através do trabalho e da cooperação. Para ele a prática educativa acontece diante de situações reais de construção e reconstrução do conhecimento. O aluno tem papel ativo e fundamental o seu próprio desenvolvimento não somente educacional mais social também.
As contribuições trazidas pela Pedagogia Freinet para a educação se traduzem pela filosofia, pela educação e pela prática. Suas técnicas pedagógicas trouxeram sentido às aulas tornando esta uma atividade prazerosa e significativa para os alunos. O papel do professor dentro dessa proposta se alicerça na junção da prática para a vivência, criando relações para que sejam desenvolvidos a cooperação e o respeito. A teoria Freinetiana é formulada a partir de suas experiências em sala de aula, realizando interlocuções, observações, anotações e experimentações. Trata-se de uma teoria pedagógica fundamentada em princípios e comprovada pelas suas pesquisas como: educação e trabalho, livre expressão, cooperação e autonomia. A relação que essa pedagogia traz com a vida social dos alunos é que auxilia o professor no seu fazer pedagógico, construindo com seus alunos a aprendizagem coletiva, diante de uma proposta real de interação por todos os sujeitos no processo educativo, respeitando a linguagem de cada um, tornando o aprendizado prazeroso e principalmente trabalhando a autonomia dos mesmos.
O trabalho na concepção de Freinet está relacionado a uma atividade que é própria do ser humano, algo que possui uma finalidade social determinada. “Em resumo, o trabalho como base educativa prepara a harmonia social pela harmonia individual, é um estimulante para o estudo abstrato, é finalmente, um fator inestimável de moralidade e sociabilidade” (FREINET, 1998, p.94). Em sala de aula, o trabalho refere-se a procedimentos necessários à prática pedagógica, tais como: elaboração de planos de trabalho, criação e confecção de materiais, rotinas, entre outros. Todos esses procedimentos devem ser elaborados em conjunto, docentes e discentes. O trabalho é uma prática social que pode libertar o homem de dogmatismos tornando este um ser atuante na sociedade de forma crítica e criadora, inclusive tornando-se um ser criador de sua própria educação.
O verdadeiro sentido da pedagogia de Freinet, está ligada através da relação de troca que o homem faz com o meio e, assim, descobre seus complexos de interesse. É nessa concepção que se demonstra a sensibilidade diante do comportamento da criança em um ambiente escolar e social em que vive, buscando desenvolver as potencialidades dos mesmos. O segundo princípio da pedagogia freinetiana é o tateamento experimental que trabalha a sensibilidade dos alunos. Para Freinet a aprendizagem é construída pela criança através da elaboração de hipóteses que são testadas podendo tornar-se uma apropriação concreta do conhecimento, e a pesquisa que a criança realiza usando o tateamento experimental possibilita essa análise.
Para Freinet (1969, p.85), “os únicos conhecimentos que podem influenciar o comportamento de um indivíduo são aqueles que ele descobre sozinho e dos quais se apropria”. Esse pilar presente no método natural de aprendizagem possibilita ao aluno um maior conhecimento do ambiente em que vive, através de suas descobertas, que são necessidades naturais do ser humano, utilizando o tatear, sondar, investigar o terceiro princípio da pedagogia freinetiana trata-se da cooperação. De acordo com Freinet, é através desta que as crianças e o educador se relacionam e desenvolvem suas responsabilidades e competências, havendo uma maior valorização mútua e, principalmente, a prática real da liberdade pessoal necessária. Diante da troca de experiências e conhecimentos entre os alunos, estes passam a se tornar seres autônomos com seus processos de aprendizagem, conseguem atribuir significância à prática educativa exercida e essa cooperação contribui consideravelmente para a formação de valores e atitudes nos sujeitos envolvidos.
A classe cooperativa se fundamenta nas relações interpessoais, assim sendo ela ajuda as crianças a multiplicarem as relações umas com as outras em todas as idades, e com os adultos, tendo com estes não mais uma relação de dependência e de submissão, mas de troca e amizade (Escolas são pessoas) José Pacheco. E a independência da criança vai se processando gradativamente, com consciência e responsabilidade. (Souza, 1996, p.1).
Na pedagogia freinetiana, a livre expressão é o quarto pilar, e é nesta concepção das habilidades expressivas que a criança é capaz de trabalhar seus sentimentos, emoções, pensamentos, conhecimentos prévios através de uma aprendizagem real e significativa e vivenciada. Quando a criança sente segurança e confiança no ambiente em que esta inserida, torna-se possível o crescimento e o desenvolvimento de suas potencialidades e de sua autoconfiança. O desenvolvimento afetivo neste ambiente é primordial através do mediador, para que o mesmo desenvolva aspectos a serem trabalhados de forma que a criança possa se sentir ao mesmo tempo que segura amada também. Os materiais didáticos utilizados por Freinet em suas aulas foram criados por ele próprio fundamentando a relação dialética que era sua proposta para o ambiente escolar.
Santos (1996, p. 158) demonstra: Ao introduzir no ambiente escolar, técnicas educativas tais como o texto livre, o jornal, a imprensa, a correspondência, o plano de trabalho, a biblioteca de classe, o conselho cooperativo, Freinet dotou a sala de aula de condições estruturais e funcionais para uma prática educativa baseada na liberdade de expressão, no intercâmbio de ideias, no tateio experimental, no trabalho criativo e na cooperação. O texto livre, eixo possibilitador de aprendizagem que se consolida intrinsecamente na atuação do princípio da livre expressão, foi a primeira forma que
Freinet apresentou sua pedagogia para o mundo no Congresso de Tours (1927), onde levou seus alunos e apresentou toda a coleta de materiais, advindas da impressão de textos e registros de desenhos, onde também demonstrou sua paixão e orgulho: “o Congresso de Tours, onde educadores apaixonados por seu ofício levavam seus trabalhos e seu entusiasmo, demonstravam que a livre expressão da criança encontrava-se na origem de uma inversão de conceito de educação”. Freinet (apud Freinet E, 1979, p.30). Um dos diferenciais de Freinet era a preocupação em atrair a atenção dos alunos para o processo de ensino-aprendizagem. As obras de Freinet demonstram como sua visão sobre a educação é atual e utilizada em todo o mundo até os dias de hoje. Um educador que no início do século XX desenvolveu importantes considerações acerca das relações interpessoais, dos assuntos sociais e políticos, e da prática pedagógica da atualidade.
Freinet teve muitos facilitadores pedagógicos ligados à sua pesquisa, em que se destacam: plano de trabalho (gestão da aprendizagem), correspondência interescolar (comunicação social), auto-avaliação (autogestão da aprendizagem), jornal de parede (gestão entre o grupo), imprensa escolar (instrumento usado na comunicação), aula passeio (práticas que contribuem para a aquisição do conhecimento), livro da vida (instrumento para registro), fichário de consulta (gestão da aprendizagem). Para Freinet o trabalho deve ser realizado por grupos de alunos de maneira coletiva e cooperativa. Um dos instrumentos que representam a sua prática foi o limógrafo (um tipo de impressora artesanal). Este material foi o primeiro utilizado por Freinet caracterizando, assim, a imprensa escolar.
O limógrafo era usado para registrar experiências extra-escolares dos alunos como, por exemplo, entrevistas, pesquisas e relatórios. A aula passeio (ato denominado as atividades de observação da esfera extra-escolar) surgiu diante da observação de Freinet sobre as necessidades dos alunos que se interessavam por questões fora do âmbito escolar. Freinet, no intuito de incentivar a participação das aulas e tornar estas mais prazerosas e significantes, começou a praticar aulas passeios envolvendo caminhadas e atividades ao ar livre.
O livro da vida trata-se de uma forma de registro da livre expressão. Este material foi idealizado como uma forma de catalogar os saberes construídos em sala de aula e fora dela. Nele, a criança podia demonstrar seus sentimentos expressando-se livremente, representando a sua realidade. Segundo Souza (1996, p. 8), “o livro da vida é um meio de incentivar na criança o gosto e o desejo de escrever, uma vez que nele está expresso o que ela disse, fez, viveu e compreendeu.” Um mecanismo de pesquisa é o fichário de consulta, uma enciclopédia artesanal, que possibilita aos alunos a organização de assuntos referentes as áreas de: gramática,geografia, matemática, entre outros.
O plano de trabalho e a correspondência escolar também fizeram parte das aulas de Freinet. O plano de trabalho se configura na proposta educativa Freinetiana como um planejamento feito entre o professor e o aluno no qual continha o encaminhamento das aulas buscando sempre a melhor maneira de realizá-las. A correspondência interescolar, atividade cooperativa de estreitamento das relações humanas, em que os alunos socializam informações, presentes, conhecimentos, entre outros também é uma técnica de ensino proposta para o ambiente escolar. Finalizando, na concepção de Freinet a avaliação é um mecanismo necessário a prática educativa. Sem ela, corre-se o risco de deixar a atividade educativa improdutiva e sem significância. Nesse sentido, a auto-avaliação e as fichas criadas por Freinet, foram pensadas para o registro dos progressos e, assim, do desenvolvimento.
A maneira que Freinet vê o ato educativo possibilita o entendimento de que é impossível que haja neste a neutralidade, adotando como embasamento uma consciência política e recusa de manipulação do homem. Em sua pesquisa ele demonstra que a ação pedagógica pensada e projetada, possui grande relevância no processo de libertação e conscientização humana, mesmo tendo ele atuado em época diferente. Nas aulas, a forma que Freinet trabalhava deixava clara a sua contribuição para o desenvolvimento da autonomia, juízo crítico e responsabilidade nas crianças. Práticas como a “expressão livre” dava criatividade e liberdade aos alunos e estes tinham palavra e vida no processo de ensino-aprendizagem. Para que haja a pesquisa o professor precisa saber pensar, que é pôr em dúvida suas certezas, suas verdades para aprender o conhecimento já existente e aquele que ainda não existe.
A relação dialógica e cooperação entre professor e aluno são princípios defendidos por Freinet. Essas práticas necessárias em sala de aula possibilitam a problematização, compreensão e transformação da realidade. A modificação do espaço escolar é enfocada por Freinet mediante de métodos ativos de ensino, da cooperação e comunicação dos caminhos de meio natural e social; enfatizando o trabalho educativo ligado à ação e a organização social e política do mundo adulto. Freinet traz em sua proposta pedagógica um método natural de ensino, mostrando que o desenvolvimento da criança se dá de forma gradativa, tendo relação com as necessidades próprias da criança e as condições fisiológicas, psicológicas e técnicas. A formação do homem integral era vista por Freinet como um direito de todos os cidadãos, que passaria de um plano concreto de vida para um mais abstrato quando conquistassem a liberdade. Este pensamento está claro em todo o trabalho de Freinet, tanto no aspecto educacional, quanto no aspecto político e social. Isto_ porque ele acreditava numa escola contextualizada, nascida no seio da comunidade, dinâmica e integrada, principalmente, à cultura em geral.
Para que houvesse educação, ou melhor, uma nova educação, era necessária uma grande modificação da sociedade, da política, da ética, do cotidiano dos indivíduos e dos grupos sociais. Suas raízes de pensamento refletem uma educação para a autonomia e formação de cidadãos.
Freinet fez surgir um projeto político dedicado ao aprimoramento de um direito social: a educação.
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
REFERÊNCIAS
ELIAS, Marisa Del Cioppo. Pedagogia Freinet: teoria e prática. Campinas – SP:
Papirus,1996.
______. De Emílio a Emília: a trajetória da alfabetização. São Paulo: Scipione:
2000.
FREINET, C. O método natural. Trad. Franco de Sousa e Teresa Balté. Lisboa:
Estampa, 1969. Vols 2.
______. As técnicas Freinet da escola moderna. Trad. Silva Letra. 4ª ed. Lisboa:
Estampa, 1975.
______. A Educação do trabalho. / Cèlestin Freinet; tradução de Cristiane Nascimento
e Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes,1998 – (Psicologia e Pedagogia)
Campina Grande, REALIZE Editora, 2012
13
______. Para uma escola do povo: guia prático para organização material, técnica
e pedagógica da escola popular/ Cèlestin Freinet: tradução de Eduardo Brandão. 2ª ed.
– São Paulo: Martins Fontes, 1977. (Psicologia e Pedagogia).
FREINET, Élise. O itinerário de Cèlestin Freinet. Rio de Janeiro: Livraria Francisco
Alves Editora S. A. 1979.
___________. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. SP:
UNESP, 2000.
____________ Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: UNESP, 2001.
OLIVEIRA, A. M. M. Cèlestin Freinet: raízes sociais e políticas de uma proposta
pedagógica. Rio de Janeiro: Papéis e cópias de Botafogo e Escola de Professores, 1995.
SANTOS, Maria Lúcia dos. Texto livre: expressão viva num sistema interativo. In:
ELIAS, Maria Elisa Del Cioppo (org). Pedagogia Freinet: teoria e prática. Campinas,
SP: Papirus,1996.
SOUZA, Djanira Brasilino de. A pedagogia Freinet nas séries iniciais do 1º grau:
algumas sugestões de organização do trabalho pedagógico. Caderno nº 3, Natal:
EDUFRN, 1996.
Trabalhando com blocos lógicos
TRABALHANDO COM BLOCOS LÓGICOS
Os blocos lógicos são mais um elemento pertencente ao material estruturado, ou seja, todo aquele que é organizado segundo critérios precisos. Podem ser confeccionados em madeira, plástico ou cartolina com diferentes tamanhos, espessura e cores.
Fazendo referência a Piaget, "a aprendizagem da matemática envolve o conhecimento físico e o lógico-matemático. No caso dos blocos, o conhecimento físico ocorre quando a criança pega, observa e identifica os atributos de cada peça. O lógico-matemático se dá quando ela usa esses atributos sem ter o material em mãos (raciocínio abstrato)".
Os objetivos dos blocos lógicos prendem-se em:
- Desenvolver o pensamento lógico e matemático;
- Abstração;
- Conhecimento das figuras geométricas;
- Desenvolver o conhecimento dos atributos e dos critérios de cada peça dos blocos lógicos;
- Desenvolver a imaginação e espírito crítico, dependo do contexto de jogo sugerido para a criança desenvolver;
- Material de multidisciplinaridade, dependendo da intencionalidade das propostas de atividade.
Os blocos lógicos
São caracterizados por serem um material com estrutura eficiente no desenvolvimento lógico-matemática da criança. Recorrendo à classificação a criança pode desenvolver conceitos como cor (amarelo, vermelho e azul), forma (quadrado, retângulo, triângulo e círculo), tamanho (grande, pequeno) e espessura (fino, grosso).
Escrito por Rejane Passos
Psicopedagoga e Neuropsicopedagoga Rejane Passos é referência no trabalho com estimulação motora nos municípios de Iguaí e Itororó no interior da Bahia. Se você procura dicas para trabalhar com essa temática entre em contato: 73 9.8207-9009
TRABALHANDO COM BLOCOS LÓGICOS
Os blocos lógicos são mais um elemento pertencente ao material estruturado, ou seja, todo aquele que é organizado segundo critérios precisos. Podem ser confeccionados em madeira, plástico ou cartolina com diferentes tamanhos, espessura e cores.
Fazendo referência a Piaget, "a aprendizagem da matemática envolve o conhecimento físico e o lógico-matemático. No caso dos blocos, o conhecimento físico ocorre quando a criança pega, observa e identifica os atributos de cada peça. O lógico-matemático se dá quando ela usa esses atributos sem ter o material em mãos (raciocínio abstrato)".
Os objetivos dos blocos lógicos prendem-se em:
- Desenvolver o pensamento lógico e matemático;
- Abstração;
- Conhecimento das figuras geométricas;
- Desenvolver o conhecimento dos atributos e dos critérios de cada peça dos blocos lógicos;
- Desenvolver a imaginação e espírito crítico, dependo do contexto de jogo sugerido para a criança desenvolver;
- Material de multidisciplinaridade, dependendo da intencionalidade das propostas de atividade.
Os blocos lógicos
São caracterizados por serem um material com estrutura eficiente no desenvolvimento lógico-matemática da criança. Recorrendo à classificação a criança pode desenvolver conceitos como cor (amarelo, vermelho e azul), forma (quadrado, retângulo, triângulo e círculo), tamanho (grande, pequeno) e espessura (fino, grosso).
Escrito por Rejane Passos
Psicopedagoga e Neuropsicopedagoga Rejane Passos é referência no trabalho com estimulação motora nos municípios de Iguaí e Itororó no interior da Bahia. Se você procura dicas para trabalhar com essa temática entre em contato: 73 9.8207-9009
Tendências Pedagógicas: o que são e para que servem?
Tendências Pedagógicas
A Relação entre as Tendências
Pedagógicas e a Prática Docente
As Tendências Pedagógicas, são de extrema relevância para a Educação, principalmente as mais recentes, pois as mesmas contribuem para a condução de um trabalho docente mais consciente, baseado nas demandas atuais da clientela em questão, propostas e modelos que devem ser observados devido a constante metamorfose social de um povo.
O conhecimento destas tendências e perspectivas de ensino por parte dos professores é fundamental para a realização de uma prática docente realmente significativa, que tenha algum sentido para o aluno, pois tais tendências objetivam nortear o trabalho do educador ajudando-o a responder questões sobre as quais deve se estruturar todo o processo de ensino, tais como: o que ensinar? Para quem? Como? Para que? Por quê? E para que a prática pedagógica em sala de aula alcance seus objetivos, o professor deve ter as respostas para estas questões, pois, como defende Luckesi (1994): “A Pedagogia não pode ser bem entendida e praticada na escola sem que se tenha alguma clareza do seu significado. Isso nada mais é do que buscar o sentido da prática docente”.
Estas Tendências Pedagógicas formuladas ao longo dos tempos por diversos teóricos que se debruçaram sobre o tema em pesquisas e ou práticas diárias, foram concebidas a partir de visões em relação ao contexto histórico das sociedades em que estavam inseridos, além de suas concepções de homem e mundo, tendo como principal objetivo auxiliar o trabalho docente, modelando-o a partir das necessidades de ensino observadas no âmbito social em que viviam. Sendo assim, o conhecimento dessas correntes pedagógicas por parte dos professores, principalmente as mais recentes, torna-se de extrema relevância, visto que as mesmas possibilitam ao educador um aprofundamento maior sobre os pressupostos e variáveis do processo de ensino-aprendizagem, abrindo-lhe um leque de possibilidades de direcionamento do seu trabalho, a partir de suas convicções pessoais, profissionais, políticas e sociais, contribuindo assim, para a produção de uma prática docente estruturada, significativa, esclarecedora e, principalmente, positiva por parte do entendimento dos discentes.
A escola precisa ser reencantada, encontrar motivos para que o aluno vá para os bancos escolares com satisfação, alegria. Existem escolas esperançosas, com gente animada, mas existe um mal-estar geral na maioria delas. Não acredito que isso seja trágico. Essa insatisfação deve ser aproveitada para se dar um salto. Se o mal-estar for trabalhado, ele permite um avanço. Se for aceito como uma fatalidade, ele torna a escola um peso morto na história, que arrasta as pessoas e as impede de sonhar, pensar e criar. (Moacir Gadotti, em entrevista para a Revista Nova Escola, edição de novembro/2000)
Sendo assim, creio que seja essencial que todos os professores tenham um conhecimento mais aprofundado com relação às Tendências Pedagógicas, ainda que seja para negá-las, porém de forma crítica e consciente, ou quem sabe para utilizar-se dos pontos positivos observados em cada uma delas e construir uma base pedagógica estruturada, mas com coerência e propriedade. Afinal, como já defendia Snyders (1974): é possível “Pensar que se pode abrir um caminho a uma pedagogia atual; que venha a fazer a síntese do tradicional e do moderno: Síntese e não confusão”. O importante é que se busque tirar a venda dos olhos para enxergar, literalmente, o alunado e, assim, poder dar um sentido político e social ao trabalho que está sendo realizado, pois, assim como afirma Libâneo, aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta, isto é, da situação real vivida pelo educando, e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade, o que está em consonância com o que diz Saviani (1991):
A Pedagogia Crítica implica a clareza dos determinantes sociais da educação, a compreensão do grau em que as contradições da sociedade marcam a educação e, consequentemente como é preciso se posicionar diante dessas contradições e desenreda a educação das visões ambíguas, para perceber claramente qual é a direção que cabe imprimir a questão educacional. (p.103)
Segundo Luckesi (1994), a “Pedagogia se delineia a partir de uma posição filosófica definida”. Em seu livro “Filosofia da Educação”, o autor discorre sobre a relação existente entre a Pedagogia e a Filosofia e busca clarificar as perspectivas das relações entre educação e sociedade. No seu trabalho, Luckesi apresenta três tendências filosóficas responsáveis por interpretar a função da educação na sociedade: a Educação Redentora, a Educação Reprodutora e a Educação Transformadora da Sociedade. A primeira é otimista, acredita que a educação pode exercer domínio sobre a sociedade (Pedagogias Liberais). A segunda é pessimista, percebe a educação como sendo apenas reprodutora de um modelo social vigente. Enquanto a terceira tendência assume uma postura crítica com relação às duas anteriores, indo de encontro tanto do “otimismo ilusório” quanto do “pessimismo imobilizador” (Pedagogias Progressistas).
Em consonância com estas leituras filosóficas sobre as relações entre educação e sociedade, Libâneo (1985), ao realizar uma abordagem das Tendências Pedagógicas organiza as diferentes pedagogias em dois grupos: Pedagogia Liberal e Pedagogia Progressista. A Pedagogia Liberal é apresentada nas formas Tradicional; Renovada Progressivista; Renovada Não-diretiva; e Tecnicista. Enquanto a Pedagogia Progressista é subdividida em Libertadora; Libertária; e Crítico-social dos Conteúdos. Como mostra o quadro a seguir, que apresenta de forma muito simplificada as principais características de cada Tendência Pedagógica, seus conteúdos, métodos e pressupostos de ensino-aprendizagem, assim como seus principais expoentes e os papéis da escola, do professor e do aluno comuns a cada uma delas.
As Competências do Educador
do século XXI
O educador contemporâneo deve ser acima de tudo crítico. Analisar,
conhecer, absorver e principalmente entender as mudanças sociais,
culturais e tecnológicas que ocorrem quase que diariamente no mundo
todo. O educador deve acima de tudo estar mais próximo ao educando,
conhecê-lo melhor, conhecer suas necessidades e também suas
potencialidades, trabalhando sempre o princípio da afetividade “ Teoria
defendida por WALLON” e outros inúmeros pesquisadores da educação. Não
cabe mais somente culpabilizar o aluno por seu fracasso escolar, mas
assegurar-se de que ele esteja sendo atendido de forma adequada,
observando e escutando sua realidade, dificuldades e problemas como
ponto de partida para o processo de ensino-aprendizagem, pois sabemos
que cada indivíduo aprende de forma particular, de acordo com os seus
interesses e que cada um tem o seu próprio ritmo, tendo no fator
“querer” o ponto determinante para o processo de conhecimento. E é esse
“querer aprender” que devemos semear no aluno, com um ensino voltado
para responder questões do seu cotidiano, um ensino que faça sentido
para a sua vida, que esteja dentro da sua realidade e que, assim, o
estimule, cada vez mais, a buscar o saber.
Não se contente em desculpar a escola, argumentando que esses fatos,
reais, são apenas um aspecto de um desequilíbrio social que não é
particular à nossa época. Nem por isso deixa de ser verdade que você não
soube reconhecer nem explorar as aptidões e os talentos do homem de
negócios, do pugilista, do ciclista e do cantor. Você até correu o risco
de os “desencaminhar”, o que é grave. E isso, sem dúvida, porque,
ligado com fidelidade excessiva à tradição, você também perdeu muito
tempo reerguendo muros que se tornaram inúteis, pois você se obstina em
seguir por caminhos que a nada conduzem e não sabe exaltar as novas
forças que, para além das máquinas e das mecânicas, dão uma medida
suprema do homem. (FREINET, 2004, p. 16)
Não basta, para o educador, apenas ensinar no sentido de transmitir o
saber. É preciso que se ensine a pensar, a refletir sobre o objeto da
aprendizagem, é preciso que o aluno entenda seu papel na sociedade,
tanto no presente, quanto no presente futuro. Como disse Paulo Freire:
“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a
posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para
produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”. Este é o pensamento que
deve ser disseminado entre os professores e incorporado nas propostas de
ensino das escolas da rede pública.
É importante salientar que o fato de reconhecer as possíveis
contribuições das novas correntes pedagógicas para a prática docente e
utilizar-se delas, não significa, necessariamente, ir de encontro, de
forma radical, ao ensino tradicional. Assim como Georges Snyders que
estudou a Escola Tradicional e a Escola Nova e elaborou, a partir dos
resultados desses estudos, uma nova pedagogia: a Pedagogia Progressista,
que se contrapõe a estas correntes, mas ao mesmo tempo aponta pontos
positivos em cada uma delas, eu também não me situo de forma totalmente
contrária à Escola Tradicional. Na verdade, as Tendências Pedagógicas
Contemporâneas não devem significar o fim do Ensino Tradicional, mas a
sua evolução, o seu amadurecimento, concebido a partir das mudanças e
novas demandas da sociedade.
Acredito que se o professor tiver um conhecimento mais ampliado em torno
das possibilidades de direcionamento de seu trabalho, além de
consciência das dimensões política e social de sua prática docente e
ainda conceber a importância de novas soluções de aprendizagem e
propostas de ensino, mesmo em meio às dificuldades do cotidiano dessas
escolas, é possível que este profissional seja capaz de transpor, com
criatividade e eficiência, os obstáculos e assim, desenvolver um
trabalho docente mais qualificado, responsável e significativo.
Temos consciência de que a tarefa de educar no Brasil não é nada fácil,
principalmente em meio a todos os problemas observados no âmbito do
sistema público de ensino, que vão além da baixa remuneração dos
professores, passando pela má formação e desvalorização desses
profissionais, infra-estrutura insatisfatória, e isso sem falar no
desrespeito e violência que, infelizmente, já se tornaram comuns no
cotidiano escolar. Contudo, nas palavras de Saviani (1996):
Efetivamente, se as condições se tornaram adversas, esse fato, em lugar
de nos levar ao desânimo como infelizmente tende a acontecer, deve
conduzir- nos a ampliar a nossa capacidade de luta, organizando-nos mais
fortemente e atuando decisivamente no interior das escolas e junto ao
Estado no sentido de transformar em verdade prática a consciência, já
consensual, da importância estratégica da educação e da urgência e da
urgência da resolução de seus problemas. (prefácio)
Mesmo sendo direcionado, mais especificamente, para a área de gestão
educacional, esse pensamento crítico do autor pode e deve ser apropriado
também no âmbito docente das instituições públicas de ensino. Faz-se
necessário que o professor tenha consciência do seu papel na escola e,
principalmente, que queira, efetivamente, ser a diferença e contribuir
para melhorar suas condições de trabalho e, consequentemente, a
qualidade do ensino que é ministrado nas escolas da rede pública, ao
invés de se limitar a reclamar do seu infortúnio. Afinal, creio que não
sejam novidade para ninguém os problemas enfrentados pela educação no
Brasil. Portanto, suponho que o indivíduo que escolhe ser professor
neste país, já o faz sabendo o que enfrentará. Acredito numa escola
humanitária, de quem quer, realmente, dar sua contribuição em prol da
efetiva melhoria da questão educacional brasileira e lutar por melhores
condições de trabalho.
O aprofundamento dos estudos com relação aos pressupostos teóricos e
metodológicos de aprendizagem empregados pelas diferentes Tendências
Pedagógicas e a desmitificação das novas correntes poderá proporcionar
sim aos professores, um entendimento maior no que tange as dimensões
política e social existentes em cada uma delas, e assim, contribuir para
uma tomada de consciência com relação ao verdadeiro papel do educador
nos dias atuais. Portanto educar implica em um envolvimento da
comunidade, da sociedade, do poder público, gestões educacionais
competentes e uma prática pedagógica mais equilibrada, responsável e
verdadeiramente significativa.
Escolas são pessoas – “José Pacheco”
REFERÊNCIAS:
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez,
1994. – (Coleção magistério. 2° grau. Série formação do professor)
FREIRE, Paulo. Educação e atualidade. 3. ed. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2003.
GADOTTI, Moacir. Pensamento pedagógico brasileiro. São Paulo: Ática, 1987.
SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 17ª ed. São Paulo: Cortez / Autores Associados, 1988.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo: Loyola, 1985.
FREINET, Célestin. Pedagogia do bom senso. Tradução J. Baptista. 7. ed. — São Paulo : Martins Fontes, 2004.
ARTIGO > PROF. MARCOS LEONARDO DE SOUZA
Marcos
Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia,
História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia,
Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação
Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica,
treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
Tendências Pedagógicas
A Relação entre as Tendências
Pedagógicas e a Prática Docente
As Tendências Pedagógicas, são de extrema relevância para a Educação, principalmente as mais recentes, pois as mesmas contribuem para a condução de um trabalho docente mais consciente, baseado nas demandas atuais da clientela em questão, propostas e modelos que devem ser observados devido a constante metamorfose social de um povo.
O conhecimento destas tendências e perspectivas de ensino por parte dos professores é fundamental para a realização de uma prática docente realmente significativa, que tenha algum sentido para o aluno, pois tais tendências objetivam nortear o trabalho do educador ajudando-o a responder questões sobre as quais deve se estruturar todo o processo de ensino, tais como: o que ensinar? Para quem? Como? Para que? Por quê? E para que a prática pedagógica em sala de aula alcance seus objetivos, o professor deve ter as respostas para estas questões, pois, como defende Luckesi (1994): “A Pedagogia não pode ser bem entendida e praticada na escola sem que se tenha alguma clareza do seu significado. Isso nada mais é do que buscar o sentido da prática docente”.
Estas Tendências Pedagógicas formuladas ao longo dos tempos por diversos teóricos que se debruçaram sobre o tema em pesquisas e ou práticas diárias, foram concebidas a partir de visões em relação ao contexto histórico das sociedades em que estavam inseridos, além de suas concepções de homem e mundo, tendo como principal objetivo auxiliar o trabalho docente, modelando-o a partir das necessidades de ensino observadas no âmbito social em que viviam. Sendo assim, o conhecimento dessas correntes pedagógicas por parte dos professores, principalmente as mais recentes, torna-se de extrema relevância, visto que as mesmas possibilitam ao educador um aprofundamento maior sobre os pressupostos e variáveis do processo de ensino-aprendizagem, abrindo-lhe um leque de possibilidades de direcionamento do seu trabalho, a partir de suas convicções pessoais, profissionais, políticas e sociais, contribuindo assim, para a produção de uma prática docente estruturada, significativa, esclarecedora e, principalmente, positiva por parte do entendimento dos discentes.
A escola precisa ser reencantada, encontrar motivos para que o aluno vá para os bancos escolares com satisfação, alegria. Existem escolas esperançosas, com gente animada, mas existe um mal-estar geral na maioria delas. Não acredito que isso seja trágico. Essa insatisfação deve ser aproveitada para se dar um salto. Se o mal-estar for trabalhado, ele permite um avanço. Se for aceito como uma fatalidade, ele torna a escola um peso morto na história, que arrasta as pessoas e as impede de sonhar, pensar e criar. (Moacir Gadotti, em entrevista para a Revista Nova Escola, edição de novembro/2000)
Sendo assim, creio que seja essencial que todos os professores tenham um conhecimento mais aprofundado com relação às Tendências Pedagógicas, ainda que seja para negá-las, porém de forma crítica e consciente, ou quem sabe para utilizar-se dos pontos positivos observados em cada uma delas e construir uma base pedagógica estruturada, mas com coerência e propriedade. Afinal, como já defendia Snyders (1974): é possível “Pensar que se pode abrir um caminho a uma pedagogia atual; que venha a fazer a síntese do tradicional e do moderno: Síntese e não confusão”. O importante é que se busque tirar a venda dos olhos para enxergar, literalmente, o alunado e, assim, poder dar um sentido político e social ao trabalho que está sendo realizado, pois, assim como afirma Libâneo, aprender é um ato de conhecimento da realidade concreta, isto é, da situação real vivida pelo educando, e só tem sentido se resulta de uma aproximação crítica dessa realidade, o que está em consonância com o que diz Saviani (1991):
A Pedagogia Crítica implica a clareza dos determinantes sociais da educação, a compreensão do grau em que as contradições da sociedade marcam a educação e, consequentemente como é preciso se posicionar diante dessas contradições e desenreda a educação das visões ambíguas, para perceber claramente qual é a direção que cabe imprimir a questão educacional. (p.103)
Segundo Luckesi (1994), a “Pedagogia se delineia a partir de uma posição filosófica definida”. Em seu livro “Filosofia da Educação”, o autor discorre sobre a relação existente entre a Pedagogia e a Filosofia e busca clarificar as perspectivas das relações entre educação e sociedade. No seu trabalho, Luckesi apresenta três tendências filosóficas responsáveis por interpretar a função da educação na sociedade: a Educação Redentora, a Educação Reprodutora e a Educação Transformadora da Sociedade. A primeira é otimista, acredita que a educação pode exercer domínio sobre a sociedade (Pedagogias Liberais). A segunda é pessimista, percebe a educação como sendo apenas reprodutora de um modelo social vigente. Enquanto a terceira tendência assume uma postura crítica com relação às duas anteriores, indo de encontro tanto do “otimismo ilusório” quanto do “pessimismo imobilizador” (Pedagogias Progressistas).
Em consonância com estas leituras filosóficas sobre as relações entre educação e sociedade, Libâneo (1985), ao realizar uma abordagem das Tendências Pedagógicas organiza as diferentes pedagogias em dois grupos: Pedagogia Liberal e Pedagogia Progressista. A Pedagogia Liberal é apresentada nas formas Tradicional; Renovada Progressivista; Renovada Não-diretiva; e Tecnicista. Enquanto a Pedagogia Progressista é subdividida em Libertadora; Libertária; e Crítico-social dos Conteúdos. Como mostra o quadro a seguir, que apresenta de forma muito simplificada as principais características de cada Tendência Pedagógica, seus conteúdos, métodos e pressupostos de ensino-aprendizagem, assim como seus principais expoentes e os papéis da escola, do professor e do aluno comuns a cada uma delas.
As Competências do Educador
do século XXI
O educador contemporâneo deve ser acima de tudo crítico. Analisar,
conhecer, absorver e principalmente entender as mudanças sociais,
culturais e tecnológicas que ocorrem quase que diariamente no mundo
todo. O educador deve acima de tudo estar mais próximo ao educando,
conhecê-lo melhor, conhecer suas necessidades e também suas
potencialidades, trabalhando sempre o princípio da afetividade “ Teoria
defendida por WALLON” e outros inúmeros pesquisadores da educação. Não
cabe mais somente culpabilizar o aluno por seu fracasso escolar, mas
assegurar-se de que ele esteja sendo atendido de forma adequada,
observando e escutando sua realidade, dificuldades e problemas como
ponto de partida para o processo de ensino-aprendizagem, pois sabemos
que cada indivíduo aprende de forma particular, de acordo com os seus
interesses e que cada um tem o seu próprio ritmo, tendo no fator
“querer” o ponto determinante para o processo de conhecimento. E é esse
“querer aprender” que devemos semear no aluno, com um ensino voltado
para responder questões do seu cotidiano, um ensino que faça sentido
para a sua vida, que esteja dentro da sua realidade e que, assim, o
estimule, cada vez mais, a buscar o saber.
Não se contente em desculpar a escola, argumentando que esses fatos,
reais, são apenas um aspecto de um desequilíbrio social que não é
particular à nossa época. Nem por isso deixa de ser verdade que você não
soube reconhecer nem explorar as aptidões e os talentos do homem de
negócios, do pugilista, do ciclista e do cantor. Você até correu o risco
de os “desencaminhar”, o que é grave. E isso, sem dúvida, porque,
ligado com fidelidade excessiva à tradição, você também perdeu muito
tempo reerguendo muros que se tornaram inúteis, pois você se obstina em
seguir por caminhos que a nada conduzem e não sabe exaltar as novas
forças que, para além das máquinas e das mecânicas, dão uma medida
suprema do homem. (FREINET, 2004, p. 16)
Não basta, para o educador, apenas ensinar no sentido de transmitir o
saber. É preciso que se ensine a pensar, a refletir sobre o objeto da
aprendizagem, é preciso que o aluno entenda seu papel na sociedade,
tanto no presente, quanto no presente futuro. Como disse Paulo Freire:
“Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a
posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para
produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”. Este é o pensamento que
deve ser disseminado entre os professores e incorporado nas propostas de
ensino das escolas da rede pública.
É importante salientar que o fato de reconhecer as possíveis
contribuições das novas correntes pedagógicas para a prática docente e
utilizar-se delas, não significa, necessariamente, ir de encontro, de
forma radical, ao ensino tradicional. Assim como Georges Snyders que
estudou a Escola Tradicional e a Escola Nova e elaborou, a partir dos
resultados desses estudos, uma nova pedagogia: a Pedagogia Progressista,
que se contrapõe a estas correntes, mas ao mesmo tempo aponta pontos
positivos em cada uma delas, eu também não me situo de forma totalmente
contrária à Escola Tradicional. Na verdade, as Tendências Pedagógicas
Contemporâneas não devem significar o fim do Ensino Tradicional, mas a
sua evolução, o seu amadurecimento, concebido a partir das mudanças e
novas demandas da sociedade.
Acredito que se o professor tiver um conhecimento mais ampliado em torno
das possibilidades de direcionamento de seu trabalho, além de
consciência das dimensões política e social de sua prática docente e
ainda conceber a importância de novas soluções de aprendizagem e
propostas de ensino, mesmo em meio às dificuldades do cotidiano dessas
escolas, é possível que este profissional seja capaz de transpor, com
criatividade e eficiência, os obstáculos e assim, desenvolver um
trabalho docente mais qualificado, responsável e significativo.
Temos consciência de que a tarefa de educar no Brasil não é nada fácil,
principalmente em meio a todos os problemas observados no âmbito do
sistema público de ensino, que vão além da baixa remuneração dos
professores, passando pela má formação e desvalorização desses
profissionais, infra-estrutura insatisfatória, e isso sem falar no
desrespeito e violência que, infelizmente, já se tornaram comuns no
cotidiano escolar. Contudo, nas palavras de Saviani (1996):
Efetivamente, se as condições se tornaram adversas, esse fato, em lugar
de nos levar ao desânimo como infelizmente tende a acontecer, deve
conduzir- nos a ampliar a nossa capacidade de luta, organizando-nos mais
fortemente e atuando decisivamente no interior das escolas e junto ao
Estado no sentido de transformar em verdade prática a consciência, já
consensual, da importância estratégica da educação e da urgência e da
urgência da resolução de seus problemas. (prefácio)
Mesmo sendo direcionado, mais especificamente, para a área de gestão
educacional, esse pensamento crítico do autor pode e deve ser apropriado
também no âmbito docente das instituições públicas de ensino. Faz-se
necessário que o professor tenha consciência do seu papel na escola e,
principalmente, que queira, efetivamente, ser a diferença e contribuir
para melhorar suas condições de trabalho e, consequentemente, a
qualidade do ensino que é ministrado nas escolas da rede pública, ao
invés de se limitar a reclamar do seu infortúnio. Afinal, creio que não
sejam novidade para ninguém os problemas enfrentados pela educação no
Brasil. Portanto, suponho que o indivíduo que escolhe ser professor
neste país, já o faz sabendo o que enfrentará. Acredito numa escola
humanitária, de quem quer, realmente, dar sua contribuição em prol da
efetiva melhoria da questão educacional brasileira e lutar por melhores
condições de trabalho.
O aprofundamento dos estudos com relação aos pressupostos teóricos e
metodológicos de aprendizagem empregados pelas diferentes Tendências
Pedagógicas e a desmitificação das novas correntes poderá proporcionar
sim aos professores, um entendimento maior no que tange as dimensões
política e social existentes em cada uma delas, e assim, contribuir para
uma tomada de consciência com relação ao verdadeiro papel do educador
nos dias atuais. Portanto educar implica em um envolvimento da
comunidade, da sociedade, do poder público, gestões educacionais
competentes e uma prática pedagógica mais equilibrada, responsável e
verdadeiramente significativa.
Escolas são pessoas – “José Pacheco”
REFERÊNCIAS:
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da educação. São Paulo: Cortez,
1994. – (Coleção magistério. 2° grau. Série formação do professor)
FREIRE, Paulo. Educação e atualidade. 3. ed. São Paulo: Cortez; Instituto Paulo Freire, 2003.
GADOTTI, Moacir. Pensamento pedagógico brasileiro. São Paulo: Ática, 1987.
SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 17ª ed. São Paulo: Cortez / Autores Associados, 1988.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo: Loyola, 1985.
FREINET, Célestin. Pedagogia do bom senso. Tradução J. Baptista. 7. ed. — São Paulo : Martins Fontes, 2004.
ARTIGO > PROF. MARCOS LEONARDO DE SOUZA
Marcos
Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia,
História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia,
Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação
Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica,
treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
A importância da afetividade no processo de aprendizagem segundo Wallon
A IMPORTÂNCIA DA
AFETIVIDADE NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
SEGUNDO WALLON
Sabemos que a afetividade já foi bastante estudada e considerada como um dos fatores na educação, pois é através das interações sociais que se constrói a aprendizagem. É primordial que o educador tenha uma postura de de mediador, estimulando o processo de aprendizagem desse sujeito em construção. Os sentimentos são um dos elementos que constituem o ser humano, de forma que não podem ser negligenciados de maneira alguma, pois fazem parte de suas habilidades e competências altamente valorizadas na atualidade. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) ( Brasil, 1997), consta que uma educação de qualidade deve desenvolver as capacidades interrelacionais, cognitivas, afetivas, éticas e estéticas, visando a construção do cidadão em todos os seus direitos e deveres. Verificou-se a necessidade de desenvolvimento de projetos escolares que contemple o trabalho das emoções.
A afetividade deveria ser a primeira preocupação dos educadores éticos, porque é um elemento que condiciona o comportamento, o caráter e a atividade cognitiva da criança. E o amor não é contrário ao conhecimento podendo tornar-se lucidez, necessidade e alegria de aprender. Quando se ama o mundo, esse amor ilumina e ajuda a revelá-lo e a descobri-lo ( SNYDERS ,1986).
Entende-se que a escola é a continuação do lar, na verdade há crianças que passam mais tempo na escola que com suas famílias, sendo que esta não pode se limitar a fornecer somente conhecimentos conceituais e curriculares, mas também contribuir para o desenvolvimento da personalidade de seus alunos em sua totalidade é um imprescindível papel do educador. A maior influência no processo escolar é exercida pelo professor que tem o papel de mediador “ Facilitador” e que precisa ter o conhecimento de como se dá o desenvolvimento emocional e comportamental da criança em todas as suas manifestações.
Crescer é também estabelecer vínculos que não sejam somente vínculos de dependência. É no âmbito familiar a partir dos vínculos entre as pessoas destes primeiros convívios que se inicia a relação do ensinar e o aprender e que também se inicia o Alfabetizar. A base destas relações é vincular e afetiva, pois o bebê utiliza uma forma de comunicação emocional com um adulto para mobilizá-lo a ganhar os cuidados que necessita. Dessa forma o que sustenta a etapa inicial do processo de aprendizagem é o vínculo afetivo estabelecido entre a criança e o adulto (KLEIN 1996). Fernandez (1991), diz que a aprendizagem é repleta de afetividade, já que ocorre a partir das interações sociais, e nos diz ainda que, aprendizagem é uma mudança comportamental resultante da experiência, é uma forma de adaptação ao meio onde esse indivíduo está inserido.
O afeto é essencial para o funcionamento equilibrado do nosso corpo nos dando confiança, coragem, motivação, interesse, além de tornar mais fácil a socialização. A criança precisa sentir-se segura para poder desenvolver seu aprendizado, e é necessário que o professor tenha consciência de como seus atos são extremamente significativos nesse processo, porque essa relação aluno-professor é permeada de afeto, e as emoções são estruturantes da inteligência do indivíduo (WALLON, (1995).
Freire (1997), afirma a importância dos componentes afetivos na construção do conhecimento. Ele diz que devemos evitar o medo dos nossos sentimentos, de nossas emoções, de nossos desejos e o medo de que esses ponham a perder nossa cientificidade; diz ainda que, o que sabemos, sabemos com o corpo inteiro, com a mente, com os sentimentos, com a intuição e com as emoções. A afetividade constitui um fator muito importante no processo de desenvolvimento humano, e é na relação com o outro, por meio desse outro, que o indivíduo poderá se delimitar como pessoa e manter o processo em permanente construção.
Importantes teóricos da Psicologia e Educação, a exemplo de Vigotsky , Wallon, Piaget, entre outros, produziram conhecimentos relevantes acerca da afetividade como parte integrante na constituição do sujeito. Conforme Galvão (2004), o teórico Henri Wallon trouxe uma respeitosa contribuição não só para os estudos de aprendizagem, mas também para o entendimento da dinâmica vivencial do ser humano no processo de constituição da sua personalidade.
Wallon (1995), desenvolveu seus estudos sobre afetividade em uma teoria baseada numa perspectiva histórico-cultural, afirmando em sua teoria da Psicogênese da Pessoa Completa, que a dimensão afetiva, ao longo de todo o desenvolvimento do indivíduo, tem um papel fundamental para a construção da pessoa e do conhecimento. Foi também o primeiro teórico a abordar especificamente as emoções dentro da sala de aula, e ver os conflitos com uma visão positiva, assim como pontuar questões referentes à importância dos movimentos corporais da criança neste contexto.
Este autor definiu muito bem a diferença entre emoção e afetividade, conceituando emoção como elemento mediador entre o orgânico e o psíquico. Desta forma compreende-se a emoção como o primeiro forte vínculo da criança com o mundo, assim como uma forma de expressão adaptativa com o seu meio. Já a afetividade corresponde a um momento mais tardio do desenvolvimento, sendo este marcado por elementos subjetivos que moldam a qualidade das relações com sujeitos e objetos. Logo, pode-se dizer que a afetividade sinaliza a entrada da criança no universo simbólico, proporcionando também a origem da atividade cognitiva. Segundo ele, afetividade refere-se à capacidade, à disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno por sensações ligadas a tonalidades agradáveis ou desagradáveis. Ser afetado é reagir com atividades internas/externas que a situação desperta.
E a visão dualista do homem enquanto corpo/mente, matéria/espírito, afeto/cognição, têm dificultado a compreensão das relações entre ensino e aprendizagem e da própria totalidade, sendo que se faz necessário conhecê-la melhor.
CONTRIBUIÇÕES DE HENRI WALLON
PARA A EDUCAÇÃO
Para esse autor, o termo afetividade corresponde às primeiras expressões de sofrimento e de prazer que a criança experimenta, sendo essas manifestações de tonalidades afetivas ainda em estágio primitivo, de base orgânica. Ao se desenvolver, a afetividade passa a ser fortemente influenciada pela ação do meio ambiente, tanto que este autor defende uma evolução progressiva da afetividade, cujas manifestações vão se distanciando da base orgânica, e tornando-se cada vez mais relacionadas ao social (WALLON, 1941/2007).
Wallon (1995), diz ainda que a constituição biológica da criança, ao nascer, não será a única lei de seu destino, ela passará pelas transformações das circunstâncias da vida e também das suas escolhas pessoais. Ou seja, o desenvolvimento humano não depende apenas do potencial herdado geneticamente, mas o meio onde ele está inserido poderá desencadear modificações genotípicas. Ele também afirma que as emoções aparecem desde o nascimento do indivíduo, e são a exteriorização da afetividade e a expressão corporal e motora. Tem um poder plástico e contagioso e são os primeiros contatos com o mundo físico.
Esse importante teórico da área da educação propôs grandes contribuições estruturais no sistema educacional francês, apontando três momentos marcantes e sucessivos na evolução da afetividade: a emoção, os sentimentos e a paixão; os quais resultam de fatores orgânicos e sociais e correspondem a configurações diferentes. Na emoção, há o predomínio da ativação fisiológica; no sentimento, ativação representacional e na paixão a ativação do autocontrole. Emoções são sistemas de atitudes reveladas pelo tônus muscular, são altamente orgânicas, alteram a respiração e os batimentos cardíacos. A emoção dá rapidez às respostas do organismo, para fugir ou atacar quando não há tempo para pensar; ela é apta para suscitar reflexos condicionados. Ela estimula mudanças que tendem a diminuí-la ao propiciar o desenvolvimento cognitivo; e atitude é a combinação entre o nível de tensão muscular e a intenção.
O autor afirma que o estudo da criança exige o estudo do meio em que ela se desenvolve, e esse meio deverá corresponder às suas necessidades e as suas aptidões sensório-motoras e posteriormente psicomotoras.
Para ele, os sentimentos correspondem à expressão representacional da afetividade, não implicando em reações diretas e instantâneas como nas emoções; opõem-se ao arrebatamento, tendem a reprimir e impor controle para quebrar sua potência. Os sentimentos são manifestações mais evoluídas e aparecem mais tarde na criança quando se inicia as representações. Quando adultos os indivíduos tem maiores recursos de expressão porque primeiro observam, refletem antes de agir, sabem onde, como e quando se expressar (WALLON, 1941/2007).
O estudo do processo da aprendizagem na teoria de Wallon (1995), é dividido em conjuntos ou domínios funcionais para explicar didaticamente o que é inseparável, a pessoa. São divididos em etapas do desenvolvimento do psiquismo humano. Esses domínios são: os da afetividade, do ato motor, do conhecimento e da pessoa.
- O conjunto afetivo são as funções responsáveis pelas emoções, sentimentos e pela paixão.
- O conjunto ato motor oferece a possibilidade de deslocamento do corpo no tempo e no espaço, as reações corporais que garantem o equilíbrio corporal, bem como o apoio tônico para as emoções e os sentimentos se expressarem.
- O conjunto cognitivo oferece um conjunto de funções que permite a aquisição e a manutenção do conhecimento por meio de imagens, noções, idéias e representações.
- O conjunto funcional - a pessoa- expressa a integração em todas as suas inúmeras possibilidades.
Todos os conjuntos inicialmente se revelam de uma forma nebulosa, global, difusa, sem distinção das relações que as unem, mas em cada estágio um dos conjuntos predomina, ficando mais evidenciado, embora os outros também estejam presentes numa relação complementar.
Os estágios são: impulsivo-emocional, sensório-motor e projetivo, personalismo, categorial, puberdade e adolescência. Em cada um desses estágios de desenvolvimento há uma alternância de movimentos ou direções.
Nos estágios impulsivo-emocional (0 a 1 ano), no personalismo (3 a 6 anos), na puberdade e adolescência (11 anos em diante), a direção do movimento é para dentro, para o conhecimento de si, o predomínio é afetivo.
Nos estágios sensório-motor, e projetivo (1 a 3 anos) e no categorial (6 a 11 anos), o movimento é para fora, para o conhecimento do mundo exterior e o predomínio é do cognitivo.
Embora nessa teoria o desenvolvimento seja descrito até a adolescência, esse processo não termina nessa etapa da evolução humana, porque a constituição do “eu” é um processo que jamais acaba, perdurando por toda a vida. Somos seres Inacabados “ Paulo Freire”.
RELAÇÃO ALUNO-PROFESSOR
Fernández (1991), diz que é no decorrer do desenvolvimento que os vínculos afetivos vão se ampliando na figura do professor e na importante relação de ensino e aprendizagem na época escolar. Diz também, que para haver aprendizagem é necessário que haja no mínimo dois personagens, o ensinante e o aprendente. Nessa relação é necessário confiança, pois não aprendemos de qualquer um, mas aprendemos daquele a quem outorgamos o direito de ensinar.
O papel do professor é de mediador do conhecimento, é a ponte para facilitar o aprendizado. Queira ou não, ele é um modelo na sua forma de expressar valores, resolver conflitos, comunicar-se; na forma de ouvir, falar e de relacionar-se com os outros professores e com os alunos. E a forma como o professor se relaciona com o aluno se reflete nas relações do aluno com o conhecimento e na relação aluno-aluno. Nessa relação há um antagonismo entre emoção e atividade intelectual que Wallon chama de antagonismo de bloqueio, ele também diz que quando não são satisfeitas as necessidades afetivas, estas resultam em barreiras para o processo ensino-aprendizagem e, portanto, para o desenvolvimento, tanto do aluno como do professor e que esses conflitos são essenciais ao desenvolvimento da personalidade (WALLON, 1995).
Almeida (2001), refere que essa natureza antagônica da relação aluno-professor oferece riquíssimas possibilidades de crescimento e que o conflito faz parte da natureza, da vida das espécies, porque somente ele é capaz de romper estruturas prefixadas, limites predefinidos e atingir os planos sociais, morais, intelectuais e orgânicos.
O educador do século XXI necessita ter competências e habilidades para perceber e intervir em situações que envolvam conflitos e crises emocionais, o educador deve ter consciência do poder do contágio emocional entre as crianças e atuar nessas situações, promovendo intervenções que possam ser administradas de forma significativa e, possivelmente, benéfica para o grupo.
Há uma necessidade urgente de renovação dos processos de ensino-aprendizagem que devem levar em conta a renovação também das estruturas organizacionais. É necessário construir estratégias que gere, tanto na sala de aula como na escola, um clima de segurança, confiança e respeito a individualidade de cada indivíduo que, por consequência, trará liberdade de expressão emocional, física e criativa. Escolas não são edifícios, escolas são pessoas “ José Pacheco”. A aprendizagem está intimamente ligada a transformações sociais e a comunidade deve se ater ao seu papel crucial dentro da escola, porque sem a participação da mesma, não haverá mudanças sociais e nem aprendizado.
Aprender a conviver em sociedade é um dos objetivos da educação escolar. Para isso, é necessário ensinar a conciliar a relação igualdade e diferença, paz e violência, aceitação e preconceito, sendo que esse processo exigirá dos professores uma postura democrática e não autoritária onde trabalha a criatividade e liberdade de expressão, que são contrários ao modelo atual onde é esperado o mesmo comportamento para todos, como se fosse possível colocar uniformes no interior dos alunos. Até mesmo o modelo de avaliação da aprendizagem deve ser revisto, pois não aprendemos da mesma forma e não nos comunicamos no mesmo nível de linguagem, o que não quer dizer que não somos capazes de aprender, mas sim que todo ser humano é único.
Vygotsky e Wallon (1992), afirmam que a relação afetividade-inteligência possui um caráter social e fundamental para todo o processo de desenvolvimento do ser humano. E cabe ao educador integrar o que amamos com o que pensamos, trabalhando razão e emoção. De modo que todo indivíduo tenha condições de usar tanto a razão quanto os sentimentos, e aprenda a conhecer-se a si mesmo e a seus semelhantes.
O professor é o único no mundo que tem nas mãos a argila com a qual se moldará o amanhã. Antunes (2002).
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
A IMPORTÂNCIA DA
AFETIVIDADE NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM
SEGUNDO WALLON
Sabemos que a afetividade já foi bastante estudada e considerada como um dos fatores na educação, pois é através das interações sociais que se constrói a aprendizagem. É primordial que o educador tenha uma postura de de mediador, estimulando o processo de aprendizagem desse sujeito em construção. Os sentimentos são um dos elementos que constituem o ser humano, de forma que não podem ser negligenciados de maneira alguma, pois fazem parte de suas habilidades e competências altamente valorizadas na atualidade. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) ( Brasil, 1997), consta que uma educação de qualidade deve desenvolver as capacidades interrelacionais, cognitivas, afetivas, éticas e estéticas, visando a construção do cidadão em todos os seus direitos e deveres. Verificou-se a necessidade de desenvolvimento de projetos escolares que contemple o trabalho das emoções.
A afetividade deveria ser a primeira preocupação dos educadores éticos, porque é um elemento que condiciona o comportamento, o caráter e a atividade cognitiva da criança. E o amor não é contrário ao conhecimento podendo tornar-se lucidez, necessidade e alegria de aprender. Quando se ama o mundo, esse amor ilumina e ajuda a revelá-lo e a descobri-lo ( SNYDERS ,1986).
Entende-se que a escola é a continuação do lar, na verdade há crianças que passam mais tempo na escola que com suas famílias, sendo que esta não pode se limitar a fornecer somente conhecimentos conceituais e curriculares, mas também contribuir para o desenvolvimento da personalidade de seus alunos em sua totalidade é um imprescindível papel do educador. A maior influência no processo escolar é exercida pelo professor que tem o papel de mediador “ Facilitador” e que precisa ter o conhecimento de como se dá o desenvolvimento emocional e comportamental da criança em todas as suas manifestações.
Crescer é também estabelecer vínculos que não sejam somente vínculos de dependência. É no âmbito familiar a partir dos vínculos entre as pessoas destes primeiros convívios que se inicia a relação do ensinar e o aprender e que também se inicia o Alfabetizar. A base destas relações é vincular e afetiva, pois o bebê utiliza uma forma de comunicação emocional com um adulto para mobilizá-lo a ganhar os cuidados que necessita. Dessa forma o que sustenta a etapa inicial do processo de aprendizagem é o vínculo afetivo estabelecido entre a criança e o adulto (KLEIN 1996). Fernandez (1991), diz que a aprendizagem é repleta de afetividade, já que ocorre a partir das interações sociais, e nos diz ainda que, aprendizagem é uma mudança comportamental resultante da experiência, é uma forma de adaptação ao meio onde esse indivíduo está inserido.
O afeto é essencial para o funcionamento equilibrado do nosso corpo nos dando confiança, coragem, motivação, interesse, além de tornar mais fácil a socialização. A criança precisa sentir-se segura para poder desenvolver seu aprendizado, e é necessário que o professor tenha consciência de como seus atos são extremamente significativos nesse processo, porque essa relação aluno-professor é permeada de afeto, e as emoções são estruturantes da inteligência do indivíduo (WALLON, (1995).
Freire (1997), afirma a importância dos componentes afetivos na construção do conhecimento. Ele diz que devemos evitar o medo dos nossos sentimentos, de nossas emoções, de nossos desejos e o medo de que esses ponham a perder nossa cientificidade; diz ainda que, o que sabemos, sabemos com o corpo inteiro, com a mente, com os sentimentos, com a intuição e com as emoções. A afetividade constitui um fator muito importante no processo de desenvolvimento humano, e é na relação com o outro, por meio desse outro, que o indivíduo poderá se delimitar como pessoa e manter o processo em permanente construção.
Importantes teóricos da Psicologia e Educação, a exemplo de Vigotsky , Wallon, Piaget, entre outros, produziram conhecimentos relevantes acerca da afetividade como parte integrante na constituição do sujeito. Conforme Galvão (2004), o teórico Henri Wallon trouxe uma respeitosa contribuição não só para os estudos de aprendizagem, mas também para o entendimento da dinâmica vivencial do ser humano no processo de constituição da sua personalidade.
Wallon (1995), desenvolveu seus estudos sobre afetividade em uma teoria baseada numa perspectiva histórico-cultural, afirmando em sua teoria da Psicogênese da Pessoa Completa, que a dimensão afetiva, ao longo de todo o desenvolvimento do indivíduo, tem um papel fundamental para a construção da pessoa e do conhecimento. Foi também o primeiro teórico a abordar especificamente as emoções dentro da sala de aula, e ver os conflitos com uma visão positiva, assim como pontuar questões referentes à importância dos movimentos corporais da criança neste contexto.
Este autor definiu muito bem a diferença entre emoção e afetividade, conceituando emoção como elemento mediador entre o orgânico e o psíquico. Desta forma compreende-se a emoção como o primeiro forte vínculo da criança com o mundo, assim como uma forma de expressão adaptativa com o seu meio. Já a afetividade corresponde a um momento mais tardio do desenvolvimento, sendo este marcado por elementos subjetivos que moldam a qualidade das relações com sujeitos e objetos. Logo, pode-se dizer que a afetividade sinaliza a entrada da criança no universo simbólico, proporcionando também a origem da atividade cognitiva. Segundo ele, afetividade refere-se à capacidade, à disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno por sensações ligadas a tonalidades agradáveis ou desagradáveis. Ser afetado é reagir com atividades internas/externas que a situação desperta.
E a visão dualista do homem enquanto corpo/mente, matéria/espírito, afeto/cognição, têm dificultado a compreensão das relações entre ensino e aprendizagem e da própria totalidade, sendo que se faz necessário conhecê-la melhor.
CONTRIBUIÇÕES DE HENRI WALLON
PARA A EDUCAÇÃO
Para esse autor, o termo afetividade corresponde às primeiras expressões de sofrimento e de prazer que a criança experimenta, sendo essas manifestações de tonalidades afetivas ainda em estágio primitivo, de base orgânica. Ao se desenvolver, a afetividade passa a ser fortemente influenciada pela ação do meio ambiente, tanto que este autor defende uma evolução progressiva da afetividade, cujas manifestações vão se distanciando da base orgânica, e tornando-se cada vez mais relacionadas ao social (WALLON, 1941/2007).
Wallon (1995), diz ainda que a constituição biológica da criança, ao nascer, não será a única lei de seu destino, ela passará pelas transformações das circunstâncias da vida e também das suas escolhas pessoais. Ou seja, o desenvolvimento humano não depende apenas do potencial herdado geneticamente, mas o meio onde ele está inserido poderá desencadear modificações genotípicas. Ele também afirma que as emoções aparecem desde o nascimento do indivíduo, e são a exteriorização da afetividade e a expressão corporal e motora. Tem um poder plástico e contagioso e são os primeiros contatos com o mundo físico.
Esse importante teórico da área da educação propôs grandes contribuições estruturais no sistema educacional francês, apontando três momentos marcantes e sucessivos na evolução da afetividade: a emoção, os sentimentos e a paixão; os quais resultam de fatores orgânicos e sociais e correspondem a configurações diferentes. Na emoção, há o predomínio da ativação fisiológica; no sentimento, ativação representacional e na paixão a ativação do autocontrole. Emoções são sistemas de atitudes reveladas pelo tônus muscular, são altamente orgânicas, alteram a respiração e os batimentos cardíacos. A emoção dá rapidez às respostas do organismo, para fugir ou atacar quando não há tempo para pensar; ela é apta para suscitar reflexos condicionados. Ela estimula mudanças que tendem a diminuí-la ao propiciar o desenvolvimento cognitivo; e atitude é a combinação entre o nível de tensão muscular e a intenção.
O autor afirma que o estudo da criança exige o estudo do meio em que ela se desenvolve, e esse meio deverá corresponder às suas necessidades e as suas aptidões sensório-motoras e posteriormente psicomotoras.
Para ele, os sentimentos correspondem à expressão representacional da afetividade, não implicando em reações diretas e instantâneas como nas emoções; opõem-se ao arrebatamento, tendem a reprimir e impor controle para quebrar sua potência. Os sentimentos são manifestações mais evoluídas e aparecem mais tarde na criança quando se inicia as representações. Quando adultos os indivíduos tem maiores recursos de expressão porque primeiro observam, refletem antes de agir, sabem onde, como e quando se expressar (WALLON, 1941/2007).
O estudo do processo da aprendizagem na teoria de Wallon (1995), é dividido em conjuntos ou domínios funcionais para explicar didaticamente o que é inseparável, a pessoa. São divididos em etapas do desenvolvimento do psiquismo humano. Esses domínios são: os da afetividade, do ato motor, do conhecimento e da pessoa.
- O conjunto afetivo são as funções responsáveis pelas emoções, sentimentos e pela paixão.
- O conjunto ato motor oferece a possibilidade de deslocamento do corpo no tempo e no espaço, as reações corporais que garantem o equilíbrio corporal, bem como o apoio tônico para as emoções e os sentimentos se expressarem.
- O conjunto cognitivo oferece um conjunto de funções que permite a aquisição e a manutenção do conhecimento por meio de imagens, noções, idéias e representações.
- O conjunto funcional - a pessoa- expressa a integração em todas as suas inúmeras possibilidades.
Todos os conjuntos inicialmente se revelam de uma forma nebulosa, global, difusa, sem distinção das relações que as unem, mas em cada estágio um dos conjuntos predomina, ficando mais evidenciado, embora os outros também estejam presentes numa relação complementar.
Os estágios são: impulsivo-emocional, sensório-motor e projetivo, personalismo, categorial, puberdade e adolescência. Em cada um desses estágios de desenvolvimento há uma alternância de movimentos ou direções.
Nos estágios impulsivo-emocional (0 a 1 ano), no personalismo (3 a 6 anos), na puberdade e adolescência (11 anos em diante), a direção do movimento é para dentro, para o conhecimento de si, o predomínio é afetivo.
Nos estágios sensório-motor, e projetivo (1 a 3 anos) e no categorial (6 a 11 anos), o movimento é para fora, para o conhecimento do mundo exterior e o predomínio é do cognitivo.
Embora nessa teoria o desenvolvimento seja descrito até a adolescência, esse processo não termina nessa etapa da evolução humana, porque a constituição do “eu” é um processo que jamais acaba, perdurando por toda a vida. Somos seres Inacabados “ Paulo Freire”.
RELAÇÃO ALUNO-PROFESSOR
Fernández (1991), diz que é no decorrer do desenvolvimento que os vínculos afetivos vão se ampliando na figura do professor e na importante relação de ensino e aprendizagem na época escolar. Diz também, que para haver aprendizagem é necessário que haja no mínimo dois personagens, o ensinante e o aprendente. Nessa relação é necessário confiança, pois não aprendemos de qualquer um, mas aprendemos daquele a quem outorgamos o direito de ensinar.
O papel do professor é de mediador do conhecimento, é a ponte para facilitar o aprendizado. Queira ou não, ele é um modelo na sua forma de expressar valores, resolver conflitos, comunicar-se; na forma de ouvir, falar e de relacionar-se com os outros professores e com os alunos. E a forma como o professor se relaciona com o aluno se reflete nas relações do aluno com o conhecimento e na relação aluno-aluno. Nessa relação há um antagonismo entre emoção e atividade intelectual que Wallon chama de antagonismo de bloqueio, ele também diz que quando não são satisfeitas as necessidades afetivas, estas resultam em barreiras para o processo ensino-aprendizagem e, portanto, para o desenvolvimento, tanto do aluno como do professor e que esses conflitos são essenciais ao desenvolvimento da personalidade (WALLON, 1995).
Almeida (2001), refere que essa natureza antagônica da relação aluno-professor oferece riquíssimas possibilidades de crescimento e que o conflito faz parte da natureza, da vida das espécies, porque somente ele é capaz de romper estruturas prefixadas, limites predefinidos e atingir os planos sociais, morais, intelectuais e orgânicos.
O educador do século XXI necessita ter competências e habilidades para perceber e intervir em situações que envolvam conflitos e crises emocionais, o educador deve ter consciência do poder do contágio emocional entre as crianças e atuar nessas situações, promovendo intervenções que possam ser administradas de forma significativa e, possivelmente, benéfica para o grupo.
Há uma necessidade urgente de renovação dos processos de ensino-aprendizagem que devem levar em conta a renovação também das estruturas organizacionais. É necessário construir estratégias que gere, tanto na sala de aula como na escola, um clima de segurança, confiança e respeito a individualidade de cada indivíduo que, por consequência, trará liberdade de expressão emocional, física e criativa. Escolas não são edifícios, escolas são pessoas “ José Pacheco”. A aprendizagem está intimamente ligada a transformações sociais e a comunidade deve se ater ao seu papel crucial dentro da escola, porque sem a participação da mesma, não haverá mudanças sociais e nem aprendizado.
Aprender a conviver em sociedade é um dos objetivos da educação escolar. Para isso, é necessário ensinar a conciliar a relação igualdade e diferença, paz e violência, aceitação e preconceito, sendo que esse processo exigirá dos professores uma postura democrática e não autoritária onde trabalha a criatividade e liberdade de expressão, que são contrários ao modelo atual onde é esperado o mesmo comportamento para todos, como se fosse possível colocar uniformes no interior dos alunos. Até mesmo o modelo de avaliação da aprendizagem deve ser revisto, pois não aprendemos da mesma forma e não nos comunicamos no mesmo nível de linguagem, o que não quer dizer que não somos capazes de aprender, mas sim que todo ser humano é único.
Vygotsky e Wallon (1992), afirmam que a relação afetividade-inteligência possui um caráter social e fundamental para todo o processo de desenvolvimento do ser humano. E cabe ao educador integrar o que amamos com o que pensamos, trabalhando razão e emoção. De modo que todo indivíduo tenha condições de usar tanto a razão quanto os sentimentos, e aprenda a conhecer-se a si mesmo e a seus semelhantes.
O professor é o único no mundo que tem nas mãos a argila com a qual se moldará o amanhã. Antunes (2002).
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
Relação Professor X Aluno: uma relação de troca e respeito
PROFESSOR X ALUNO
UMA RELAÇÃO DE TROCA E RESPEITO
“Estou semeando sementes da minha mais alta esperança. Não busco discípulos para comunicar-lhes saberes. Busco discípulos, para neles plantar minhas esperanças”. (Rubens Alves)
Não existe nenhum meio de ensino melhor e mais poderoso que o professor, a professora. Com poucas exceções, é na relação professor-aluno que está o segredo do sucesso ou do fracasso escolar e ou do aprendizado do aluno. A competência do docente começa a acontecer na medida em que ele consegue estabelecer uma mediação, uma ponte, um clima de respeito, confiança e troca com seus alunos. Acreditar na sua capacidade de ensinar é acreditar na capacidade do aluno em aprender, respeitando cada um deles em suas formas de aprendizagem.
Os alunos que ocupam os bancos escolares carregam consigo suas curiosidades, suas dificuldades, seus conhecimentos, suas identidades sociais. Enxergar através destas janelas é um grande desafio para ambos os lados. Um ser humano capaz de aprender, de modificar-se, percebendo que por trás do olhar muitas vezes hostil, está alguém que precisa de uma mão amiga, de uma relação afetiva de empatia, mas firme; de um olhar sério, mais acolhedor, tudo isto revela a alma de educador, de mestre.
Ser educador não significa ser “bonzinho”, não significa saber distinguir as competências e habilidades, mas requer principalmente a capacidade de exercer autoridade sem ser autoritário, de superar uma das dificuldades mais comuns em uma sala de aula: controlar a disciplina, manter a turma atenta, interessada e com vontade de aprender.
Segundo Libâneo (1991) a disciplina da classe está diretamente vinculada à prática do professor, à sua autoridade profissional, moral e técnica. Começando pelo total domínio do conteúdo, dos métodos, de procedimentos adequados; de saber lidar com a classe e suas diferenças individuais; de avaliar com critério e bom senso; de ter sensibilidade, dedicação; de ser justo; e finalizando com a capacidade e habilidade de utilizar métodos e recursos com eficiência, saber planejar e executar o planejamento.
O comportamento do Professor na classe inclui:
- Estabelecer normas possíveis de serem cumpridas e cumpri-las realmente, procurando realimentá-las periodicamente para que não sejam esquecidas;
- Não utilizar a avaliação com instrumento para amedrontar o aluno e conseguir o silêncio;l
- Planejar e aproveitar bem todo o tempo da aula, demonstrar em suas atitudes a seriedade e importância de seu trabalho e da escola;s
- Estimular os alunos para a aprendizagem, deixando claro o porquê e o para que aprender (o estimulo deve acontecer em todas as aulas);
- Tornar a aprendizagem significativa, relacionando o conteúdo à realidade dos alunos;
- Estabelecer um clima de respeito e educação entre alunos e professor;
- Demonstrar de forma clara que o professor está a favor do aluno e não contra ele;
- Proporcionar atividades para fixação dos conteúdos. É preciso compreender, mas a memorização também faz parte da aprendizagem;
- Tirar dúvidas e se necessário revisar conteúdos.
O aprendiz precisa se sentir estimulado para compreender o porquê de cada coisa, bem como a forma como esse conhecimento será empregado em sua vida. Professores devem ser artesãos, mestres na arte de misturar os ingredientes necessários para uma boa aula, ou melhor, para um banquete realmente inesquecível. Um banquete que permanecerá para sempre na memória dos aprendizes, como uma refeição indispensável ao seu crescimento e ao desenvolvimento de seu talento para viver – com saber e sabor.
(Gabriel Chalita)
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
PROFESSOR X ALUNO
UMA RELAÇÃO DE TROCA E RESPEITO
“Estou semeando sementes da minha mais alta esperança. Não busco discípulos para comunicar-lhes saberes. Busco discípulos, para neles plantar minhas esperanças”. (Rubens Alves)
Não existe nenhum meio de ensino melhor e mais poderoso que o professor, a professora. Com poucas exceções, é na relação professor-aluno que está o segredo do sucesso ou do fracasso escolar e ou do aprendizado do aluno. A competência do docente começa a acontecer na medida em que ele consegue estabelecer uma mediação, uma ponte, um clima de respeito, confiança e troca com seus alunos. Acreditar na sua capacidade de ensinar é acreditar na capacidade do aluno em aprender, respeitando cada um deles em suas formas de aprendizagem.
Os alunos que ocupam os bancos escolares carregam consigo suas curiosidades, suas dificuldades, seus conhecimentos, suas identidades sociais. Enxergar através destas janelas é um grande desafio para ambos os lados. Um ser humano capaz de aprender, de modificar-se, percebendo que por trás do olhar muitas vezes hostil, está alguém que precisa de uma mão amiga, de uma relação afetiva de empatia, mas firme; de um olhar sério, mais acolhedor, tudo isto revela a alma de educador, de mestre.
Ser educador não significa ser “bonzinho”, não significa saber distinguir as competências e habilidades, mas requer principalmente a capacidade de exercer autoridade sem ser autoritário, de superar uma das dificuldades mais comuns em uma sala de aula: controlar a disciplina, manter a turma atenta, interessada e com vontade de aprender.
Segundo Libâneo (1991) a disciplina da classe está diretamente vinculada à prática do professor, à sua autoridade profissional, moral e técnica. Começando pelo total domínio do conteúdo, dos métodos, de procedimentos adequados; de saber lidar com a classe e suas diferenças individuais; de avaliar com critério e bom senso; de ter sensibilidade, dedicação; de ser justo; e finalizando com a capacidade e habilidade de utilizar métodos e recursos com eficiência, saber planejar e executar o planejamento.
O comportamento do Professor na classe inclui:
- Estabelecer normas possíveis de serem cumpridas e cumpri-las realmente, procurando realimentá-las periodicamente para que não sejam esquecidas;
- Não utilizar a avaliação com instrumento para amedrontar o aluno e conseguir o silêncio;l
- Planejar e aproveitar bem todo o tempo da aula, demonstrar em suas atitudes a seriedade e importância de seu trabalho e da escola;s
- Estimular os alunos para a aprendizagem, deixando claro o porquê e o para que aprender (o estimulo deve acontecer em todas as aulas);
- Tornar a aprendizagem significativa, relacionando o conteúdo à realidade dos alunos;
- Estabelecer um clima de respeito e educação entre alunos e professor;
- Demonstrar de forma clara que o professor está a favor do aluno e não contra ele;
- Proporcionar atividades para fixação dos conteúdos. É preciso compreender, mas a memorização também faz parte da aprendizagem;
- Tirar dúvidas e se necessário revisar conteúdos.
O aprendiz precisa se sentir estimulado para compreender o porquê de cada coisa, bem como a forma como esse conhecimento será empregado em sua vida. Professores devem ser artesãos, mestres na arte de misturar os ingredientes necessários para uma boa aula, ou melhor, para um banquete realmente inesquecível. Um banquete que permanecerá para sempre na memória dos aprendizes, como uma refeição indispensável ao seu crescimento e ao desenvolvimento de seu talento para viver – com saber e sabor.
(Gabriel Chalita)
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
Instruir e educar
INSTRUIR E EDUCAR
Em primeiro lugar, devemos entender esta diferença prática entre instruir e educar. Instruir é um parente do verbo “Construir”. Nós professores, vamos dando na medida em que podemos instruir alguém ou alguma coisa, o tijolo e os materiais necessários para que o instruído possa fazer seu próprio edifício à sua vontade e da melhor maneira, instruímos. Também não é por acaso que a palavra aluno é um aspecto passado de um verbo que se deixou de empregar e significa o alimentado. O aluno é aquele que nós alimentamos.
A origem da palavra alimentar e aluno é exatamente a mesma. Ao passo que educar já tem o elemento que significa conduzir. De maneira que quando passamos do instruir para o educar, nós não estamos a dar tudo o que é necessário para que o aluno possa construir seus pensamentos e desenvolver-se à sua maneira, mas estamos sempre a ter o perigo de reduzir o que ele é para o habituá-lo, aos costumes apresentados e já moldados de um pensamento e ou sociedade. Estamos nesta sociedade que tem determinadas características. Evidentemente que neste processo de instruir o que temos que fazer é proceder de tal maneira a facilitar esta construção e oferecer meios para que o aluno possa entender posteriormente sua participação seja ela crítica e ou social em sua própria identidade intelectual.
EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO
Por José Saramago
A distinção entre educação e instrução é essencial para compreensão do argumento do autor. De início, Saramago argumenta que hoje utilizamos a palavra Educação, como se educação e instrução tivessem o mesmo significado. Mas assim não o é. "Instruir é transmitir conhecimentos acerca de distintas matérias que estão no programa, educar é dirigir, encaminhar, doutrinar” (p.19).
O papel e a responsabilidade da educação não cabe ao professor, pois faltam meios para fazê-lo. A educação depende da família e da própria sociedade. O que cabe ao professor é a instrução, a transmissão de conhecimentos a respeito das ferramentas adequadas e programas pertinentes, que permitam ao aluno progredir técnica e cientificamente na sociedade (p. 20).
A escola, seja primária, secundária ou a universidade é um “bloco homogêneo e coerente” (p.26). Desse modo, não há solução para a universidade, se não se encontra solução para os problemas do ensino primário e médio (p.26).
O que fazer, então?
É preciso considerar a universidade como um lugar de debate, do espírito crítico, que obriga a refletir, capacita para a análise e informa sobre o mundo em que vivemos. Sobretudo, a universidade tem a capacidade de converter o aluno em cidadão. (p. 26-27) Educar – e não instruir – nos valores cívicos, é a principal proposta do autor em relação a universidade. Não se trata de formar bons profissionais, apenas. A universidade deve se preocupar principalmente em formar bons cidadãos e assim fortalecer a noção de democracia. “Aprendizagem da cidadania, é o que creio sinceramente que falta”. (p. 28)
SARAMAGO, José. Democracia e Universidade. Belém: Ed. UFPA; Lisboa: Fundação José Saramago, 2013
Artigo e pesquisa
Prof. Marcos L Souza
2ª Parte SARAMAGO Jose , Livro “Democracia e Universidade”
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
INSTRUIR E EDUCAR
Em primeiro lugar, devemos entender esta diferença prática entre instruir e educar. Instruir é um parente do verbo “Construir”. Nós professores, vamos dando na medida em que podemos instruir alguém ou alguma coisa, o tijolo e os materiais necessários para que o instruído possa fazer seu próprio edifício à sua vontade e da melhor maneira, instruímos. Também não é por acaso que a palavra aluno é um aspecto passado de um verbo que se deixou de empregar e significa o alimentado. O aluno é aquele que nós alimentamos.
A origem da palavra alimentar e aluno é exatamente a mesma. Ao passo que educar já tem o elemento que significa conduzir. De maneira que quando passamos do instruir para o educar, nós não estamos a dar tudo o que é necessário para que o aluno possa construir seus pensamentos e desenvolver-se à sua maneira, mas estamos sempre a ter o perigo de reduzir o que ele é para o habituá-lo, aos costumes apresentados e já moldados de um pensamento e ou sociedade. Estamos nesta sociedade que tem determinadas características. Evidentemente que neste processo de instruir o que temos que fazer é proceder de tal maneira a facilitar esta construção e oferecer meios para que o aluno possa entender posteriormente sua participação seja ela crítica e ou social em sua própria identidade intelectual.
EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO
Por José Saramago
A distinção entre educação e instrução é essencial para compreensão do argumento do autor. De início, Saramago argumenta que hoje utilizamos a palavra Educação, como se educação e instrução tivessem o mesmo significado. Mas assim não o é. "Instruir é transmitir conhecimentos acerca de distintas matérias que estão no programa, educar é dirigir, encaminhar, doutrinar” (p.19).
O papel e a responsabilidade da educação não cabe ao professor, pois faltam meios para fazê-lo. A educação depende da família e da própria sociedade. O que cabe ao professor é a instrução, a transmissão de conhecimentos a respeito das ferramentas adequadas e programas pertinentes, que permitam ao aluno progredir técnica e cientificamente na sociedade (p. 20).
A escola, seja primária, secundária ou a universidade é um “bloco homogêneo e coerente” (p.26). Desse modo, não há solução para a universidade, se não se encontra solução para os problemas do ensino primário e médio (p.26).
O que fazer, então?
É preciso considerar a universidade como um lugar de debate, do espírito crítico, que obriga a refletir, capacita para a análise e informa sobre o mundo em que vivemos. Sobretudo, a universidade tem a capacidade de converter o aluno em cidadão. (p. 26-27) Educar – e não instruir – nos valores cívicos, é a principal proposta do autor em relação a universidade. Não se trata de formar bons profissionais, apenas. A universidade deve se preocupar principalmente em formar bons cidadãos e assim fortalecer a noção de democracia. “Aprendizagem da cidadania, é o que creio sinceramente que falta”. (p. 28)
SARAMAGO, José. Democracia e Universidade. Belém: Ed. UFPA; Lisboa: Fundação José Saramago, 2013
Artigo e pesquisa
Prof. Marcos L Souza
2ª Parte SARAMAGO Jose , Livro “Democracia e Universidade”
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.























